Fractais, fractais, fractais:
Cada peça em seu pouso
Pode mais que ledo esconso
De lembranças ancestrais.
Pode mais: o conjunto; o conteúdo
das cores em vida
– todas, na luz, por fim reunidas –
altera o estado do leito fosco
para simples harmonia e acolhida.
Fractal, dá cor à cor,
ao passo do espaço,
é infindo, pois da luz colorida
brilha
o sorriso
d'um novo caminho.
quarta-feira, 26 de agosto de 2026
sexta-feira, 14 de agosto de 2026
Lotus
The doom of May is already at hand
to be discouraged by a mystic shift,
coming along with no longer steady stance
and the dismay of any soul adrift.
to be discouraged by a mystic shift,
coming along with no longer steady stance
and the dismay of any soul adrift.
The pace of suffering burns with no claim now.
So delighted be those who can't allow the cold to survive,
delighted be the ashes sunk into the months born after full oblivion,
and be awakened at another Spring's vow.
Time it is to set course to untold gardens,
born long ago in the most humanly winter,
when any recollection of souls seemed as unlikely as a single stem risen.
So delighted be those who can't allow the cold to survive,
delighted be the ashes sunk into the months born after full oblivion,
and be awakened at another Spring's vow.
Time it is to set course to untold gardens,
born long ago in the most humanly winter,
when any recollection of souls seemed as unlikely as a single stem risen.
Time is set to be a fallen leaf
that decided, along merciless wind,
to fly around in the hollow nest of dead green,
and break free from any empty hearse
in the Second Coming of a brand new horizon.
that decided, along merciless wind,
to fly around in the hollow nest of dead green,
and break free from any empty hearse
in the Second Coming of a brand new horizon.
quarta-feira, 22 de julho de 2026
In absentia
Desde pequeno,
Desde antes do nascimento,
Já senti que me amavas,
E mesmo com o passar do tempo,
a des-ação de nós mesmos,
Eu sabia que aquele amor restava.
Em que o tempo já nos teve
—por tanto tempo—
Quero dizer-te que ele ainda não te deteve,
Quero recitar que em tua ausência
Nada, mesmo na impaciência, pereceu,
Quero declarar que aqui ainda estou eu.
Meu pai! Se eu puder te dizer algo mais
Alguma coisa tonta ou duradoura,
Por mais que não me ouças,
É que nada está acabado:
Nada nunca estará acabado.
Então, se puderes fitar o céu estrelado,
Lembra-te daquele dia
Em que seguraste-me a mão pela primeira vez,
O momento em que tudo de fato se fez,
Enquanto o sol subia.
sábado, 11 de julho de 2026
Amasia
Passamos reto ao lado da cidade das casas coloridas, reto.
Recusamo-nos a nela virar,
Recusamo-nos a nela virar,
Preferimos o rumo dos montes um pouco depois,
Preferimos o branco que tomava tudo, até o horizonte.
Foi em meio a toda aquela neve infinita
Que teu longo cabelo vermelho,
Preferimos o branco que tomava tudo, até o horizonte.
Foi em meio a toda aquela neve infinita
Que teu longo cabelo vermelho,
Brilhando na ausência do sol e da cor,
Era o suficiente para colorir tudo o que deixamos ultrapassado:
Toda a cor deixada em Amasia estava reparada,
Todas as cores do mundo ali estavam,
Naqueles teus fios encarnados.
Tropeçamos e caímos juntos,
Passamos frio naqueles montes juntos,
Afundamos ao caminhar juntos,
E não falhamos em sentirmo-nos seguros juntos.
Ao voltarmos, ao deixarmos o presente ser passado,
Amasia e suas coloridas casas e morros pálidos eram nada,
Shirak era nada,
Estar rodeado pelo local mais frio da Armênia era nada:
Não tremi, não
–nem por um segundo–
Pois nenhum inverno alcançava o segurar de tua mão.
Naquele momento eu, sim, estava
No local mais quente que jamais poderia,
Seja um dia na vida,
Um dia no mundo,
Um dia em tudo.
Era o suficiente para colorir tudo o que deixamos ultrapassado:
Toda a cor deixada em Amasia estava reparada,
Todas as cores do mundo ali estavam,
Naqueles teus fios encarnados.
Tropeçamos e caímos juntos,
Passamos frio naqueles montes juntos,
Afundamos ao caminhar juntos,
E não falhamos em sentirmo-nos seguros juntos.
Ao voltarmos, ao deixarmos o presente ser passado,
Amasia e suas coloridas casas e morros pálidos eram nada,
Shirak era nada,
Estar rodeado pelo local mais frio da Armênia era nada:
Não tremi, não
–nem por um segundo–
Pois nenhum inverno alcançava o segurar de tua mão.
Naquele momento eu, sim, estava
No local mais quente que jamais poderia,
Seja um dia na vida,
Um dia no mundo,
Um dia em tudo.
terça-feira, 30 de junho de 2026
Statu quo
Lua ou sol,
Já não se podia diferir,
Na marcha rumo ao cume
Tudo que havia de pairar era a luz:
A luz nas costas que carregavam a si próprio,
O furor das tochas a clamar para que se fosse,
Luz contra luz, cegando cada qual,
Sem respeito, apertando-lhe, cada mais, sua falta de voz.
No momento de tudo se apagar,
– luar ou sol, fogo ou raiva –
Não mais bastaria gritar:
Melhor seria fechar o olho e
Simplesmente
Deixar estar.
Já não se podia diferir,
Na marcha rumo ao cume
Tudo que havia de pairar era a luz:
A luz nas costas que carregavam a si próprio,
O furor das tochas a clamar para que se fosse,
Luz contra luz, cegando cada qual,
Sem respeito, apertando-lhe, cada mais, sua falta de voz.
No momento de tudo se apagar,
– luar ou sol, fogo ou raiva –
Não mais bastaria gritar:
Melhor seria fechar o olho e
Simplesmente
Deixar estar.
sexta-feira, 29 de maio de 2026
Palíndromo
Esse, esse eu,
outrora satisfeito com o reviver,
A sós infastiou-se desse velho ''eu, eu, eu''
E, a despeito de socos e sopapos, quis a si reler.
outrora satisfeito com o reviver,
A sós infastiou-se desse velho ''eu, eu, eu''
E, a despeito de socos e sopapos, quis a si reler.
Embarcado omissíssimo,
Rejeitando, ignorando, tudo de mim supostamente entendido,
Destrocei as portas das salas ocultas de meu ser:
De verdade, fui até o osso
Para, deste desarranjo de mau moço,
Ver raiar a aurora de um novo reger.
Ai, ai, quanto labor este tolo afã reteu!
Logo, abram alas, meus caros; abram alas!
Depressa inalem o oco das migalhas provocadas,
Pois já se apaga esse hercúleo trabalho de Prometeu.
Tolo, sim, ele foi - e cabe agora aceitar o rever.
Cada pilastra do eu derrubada mostrou, não mais;
Que, ainda que moído, não se escapa do ser:
de trás para frente, de frente para trás,
Invertida ou não, repousa
A mesmíssima cousa.
quinta-feira, 28 de maio de 2026
Canção de ninar a meu amor morto
Hoje sepulto em finito
Meu amor há tanto já morto.
Meu amor há tanto já morto.
Não vos incomodai em procurar pelas bancas ou obituários,
Nos cochichos fofoqueiros, ou nos ruídos dos rádios:
Nada será registrado, tudo já estará enterrado.
Não procurai por nomes, não:
Poupai-me de todo e qualquer acosso,
Nada será registrado, tudo já estará enterrado.
Não procurai por nomes, não:
Poupai-me de todo e qualquer acosso,
Decidido está ignorar-vos de antemão,
Já que custa quase todo o resto de mim
Engolir o gosto insosso do real fim
Do fim.
Amor, peço-te profundo perdão:
Como injusto foi guardar-te sem pulso,
Gelado e amordaçado,
Em meu suntuoso peito de escuridão.
Culpada terá sido a esperança, quem sabe
– Da qual nem sabia eu deter –
De que teus olhos reabertos rejeitariam tua enclausurada mortalidade.
Mas hoje, prometo, faço-te justiça
E deixo-te repousar enfim —
Longe da igual morta esperança em mim,
Adormecido em paz devida.
Esta paz, que nunca há de ser maculada por curiosos insólitos,
Garantidamente eterna e altiva, a ti informo:
Sepulto-te, amor meu, com tudo que sobrou de mim próprio.
Já que custa quase todo o resto de mim
Engolir o gosto insosso do real fim
Do fim.
Amor, peço-te profundo perdão:
Como injusto foi guardar-te sem pulso,
Gelado e amordaçado,
Em meu suntuoso peito de escuridão.
Culpada terá sido a esperança, quem sabe
– Da qual nem sabia eu deter –
De que teus olhos reabertos rejeitariam tua enclausurada mortalidade.
Mas hoje, prometo, faço-te justiça
E deixo-te repousar enfim —
Longe da igual morta esperança em mim,
Adormecido em paz devida.
Esta paz, que nunca há de ser maculada por curiosos insólitos,
Garantidamente eterna e altiva, a ti informo:
Sepulto-te, amor meu, com tudo que sobrou de mim próprio.
Assinar:
Postagens (Atom)