sábado, 23 de setembro de 2023

Abovyan 21

Ali na Abovyan,
estive a sentar. 
Enquanto buzinas e roncos incessavam,
Pairava junto a mim um cartaz de filme de Komitas.

Três velas foram acesas,
quando o arguto altar mordiscou a mim:
"A este sítio nada derruba, 
Astvatsatsin

Pensei em cantos meus e não-meus, 
no khachkar agora no bolso, 
nos olhos daqueles que por cá passam e hão de passar, 
nas montanhas de Artsakh ou acolá, 
e nos Santos em eterno repouso. 

Se a terra sozinha tantas vezes tremeu e hoje o metrô também o faz, 
a Papoula da memória, como a do(s) Monte(s) que nunca deixou(ram) de estar, concorda:
a este Sítio nada há de derrubar.

Ali na Abovyan, acho que ouvi:
"Em meio aos muros, árvores ainda crescem,
já que a existência não está quanto mais ao topo, 
mas quanto mais profunda a raiz."

(Escrito em novembro de 2021. Publicado após o genocídio em Artsakh, em 2023)