Ali na Abovyan,
estive a sentar.
Enquanto buzinas e roncos incessavam,
Pairava junto a mim um cartaz de filme de Komitas.
estive a sentar.
Enquanto buzinas e roncos incessavam,
Pairava junto a mim um cartaz de filme de Komitas.
Três velas foram acesas,
quando o arguto altar mordiscou a mim:
"A este sítio nada derruba,
Astvatsatsin"
quando o arguto altar mordiscou a mim:
"A este sítio nada derruba,
Astvatsatsin"
Pensei em cantos meus e não-meus,
no khachkar agora no bolso,
nos olhos daqueles que por cá passam e hão de passar,
nas montanhas de Artsakh ou acolá,
e nos Santos em eterno repouso.
Se a terra sozinha tantas vezes tremeu e hoje o metrô também o faz,
a Papoula da memória, como a do(s) Monte(s) que nunca deixou(ram) de estar, concorda:
a este Sítio nada há de derrubar.
Ali na Abovyan, acho que ouvi:
"Em meio aos muros, árvores ainda crescem,
já que a existência não está quanto mais ao topo,
mas quanto mais profunda a raiz."
(Escrito em novembro de 2021. Publicado após o genocídio em Artsakh, em 2023)