sábado, 3 de outubro de 2026

Quid pro quo

Onde se pode germinar uma amoreira?
— em rios, matagais, ou cidadelas? —
para que te possa ser dada aquela amora
aquela mesma,
sem diferença,
que antes sentias o aroma,
perto dos leitos, dos desterros,
enquanto firmavas,
de perfume em perfume,
o cesto do amanhecer,
e, para não deixar o solo esmorecer,
largavas, pelo caminho, férteis cantarolas.

Só podia a terra aceitar tão justa troca:
a mãe da semente que um dia desejou ser fruto,
o fruto que nasceu e quis mostrar seu cintilar ao sol
e soube, satisfeito, que aquela tua voz era a porta
para toda uma frondosa estação.

"O tempo encontrará tempo", era a promessa da amora.
e de fato seria, toda nova aurora,
a verdade encontrada florescida
no mais ardoroso terreno
das mais vivas notas de outrora.

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