de só mais um trem,
girando engrenagens de novo, de novo,
cortando, quebrando o gelo dos trilhos imundos,
esfumaçava-se, desmoronava o invisível possível do novo ano,
e decantava, gota por gota, o imenso daquela cidade,
a antes viela do russo.
Todo aquele barulho,
dinamite em tão impressionante combustão,
das rodas em ferro, da ferrugem dos pregos:
um desbravado furor de urso
— falsamente hibernado —
afogaria em sua fumaça o próprio sussurro
e emudeceria para ouvir,
como só mais um trem,
um tremor mais potente que seu próprio:
na fronteira
— não longe, não perto, mas por certo —
a marcha das botas.
Que diferença faria então
rasgar um bilhete e entrar no vagão?
Que diferença faria então
espernear que para trás ficava muito mais que uma estação?
Era só mais um trem,
em só mais um inverno,
que, de certo, desaceleraria, e
de ruído em ruído, aumentaria a voraz sinfonia
— companheira do tremor —
dos freios velhos, berrando em dor,
ao fim da linha.
Era a dor de só mais um trem freando,
e, com ela, sem se importar, todos saltando:
seria demais cerimônia com o tremor assustar-se,
tampouco notar aquele nada de sol de só mais um dia
— qualquer outro dia —
de inverno do norte.
"Nada de sol",
no sul repetido e repetido ainda seria,
enquanto o arrancar de pétalas,
tremor por tremor,
ainda desmancharia
o antes livre Girassol.
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