domingo, 30 de agosto de 2026

In medias res

Golias cai esta manhã,
diante do ímpeto de um velho ou novo Davi,
sem louros ou fadiga
daqueles que o nomearam Golias.

Treme, treme o solo cascudo 
enquanto seu corpo destrona o natural do mundo
e como um sussurro
—de um ser que antes carregava tudo—
a pedra que o vitima ainda é ouvida. 

"Golias abaixo de Golias", repetem alguns Davis.
As areias rarefeitas o varrerão deste pútrido terreno 
e não haverá mais a quem lembrar que tal futuro perecido 
um dia foi chamado 
–até mesmo por Davis– 
de Golias. 

O grito das sedentas aves de rapina, 
cessará, por fim, o eco da pedra que ao homem desfez,
para desmemoriar, com a benção da poeira, 
até a mais simples da lembrança 
de que alguém, um dia, 
foi Golias. 

Mas ainda treme o solo cascudo
—para surpresa dos que assistem—,
ao passo que surge, grita e depois urra
o mais assombroso dos ecos:
flutua junto à areia o terror em pergunta
"que virá após Golias?"

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