quarta-feira, 22 de julho de 2026

In absentia


Desde pequeno,
Desde antes do nascimento,
Já senti que me amavas,
E mesmo com o passar do tempo,
a des-ação de nós mesmos,
Eu sabia que aquele amor restava.

Neste momento,
Em que o tempo já nos teve
—por tanto tempo—
Quero dizer-te que ele ainda não te deteve,
Quero recitar que em tua ausência
Nada, mesmo na impaciência, pereceu,
Quero declarar que aqui ainda estou eu.

Meu pai, se eu puder te dizer algo mais
Alguma coisa tonta ou duradoura,
Por mais que não me ouças,
É que nada está acabado:
Nada nunca estará acabado.
Então, se puderes fitar o céu estrelado,
Lembra-te daquele dia
Em que seguraste-me a mão pela primeira vez,
O momento em que tudo de fato se fez,
Enquanto o sol subia.

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